O
obituário do DM (Diário do Minho) de ontem, participava o falecimento de José
Pereira da Costa, um provecto cidadão que se finou aos 94 anos de idade.
Para
a maioria das pessoas este nome nada diz, apesar de poderem existir muitas delas
com nome idêntico. Para mim, que não sendo amigo, nem vizinho e muito menos
familiar do defunto, a comunicação do desenlace trouxe-me à memória momentos de
quando era eu um mero catraio e frequentava com assiduidade a loja que uma tia
minha mantinha na rua dos Chãos. Isto nos idos anos 60 e 70 do passado século.
A
minha presença na dita loja transformava-me num moço de recados que a minha tal
tia aproveitava para lhe resolver faltas circunstanciais, a troco dalguns
tostões sempre bem recebidos, e na minha pobre opinião, justamente merecidos.
Os
encargos que me couberam tornaram-me num exímio conhecedor da rua e de todas as
casas que nela tinham porta aberta, bem como das pessoas que as serviam e se
postavam à frente dos seus balcões. De todas elas, gostava especialmente de ir
à mercearia, porque o senhor Costa, ao contrário da fama de outros
comerciantes, dispensava-me o trato educado e prestável que dispensava aos já
crescidos.
Os
anos passaram e naturalmente todo aquele cenário mudou. A mercearia entretanto
fechou.
Desde
aí e a cada passo, cruzava-me na rua com o senhor Costa, sempre mais velho e
cada vez mais trôpego, mas sempre com aquele ar de pessoa de bem, que julgo que
era. Associado à sua pessoa, recordo eternamente o cartaz que tinha na montra do estabelecimento e que me martelava o intelecto: “Toda a gente gosta da marmelada do Costa”.


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