Numa das minhas incursões culturais, como forma de combater o ócio das férias grandes, enquanto visitava uma exposição de arqueologia patente ainda nas instalações provisórias do Museu D. Diogo de Sousa, a ocupar espaço no edifício da biblioteca pública, fui abordado por um individuo pretensamente com responsabilidades na orgânica do evento, que me questionou sobre um eventual interesse na frequência de um curso de verão, relacionado com aquela área de investigação.
Após breves explicações sobre a forma como se desenrolaria, sobre o local e o horário do aludido curso, não foi difícil obter a minha aquiescência, uma vez que esta proposta assentava perfeitamente nos meus interesses.
De acordo com o combinado, no início da tarde do sábado seguinte, lá me desloquei para o Conservatório Calouste Gulbenkian, onde foi ministrada a aula a uma plateia composta por pouco mais de uma dúzia de curiosos, nos quais me incluía.
A aula seguinte foi decisiva para o meu futuro na arqueologia.
Em pleno verão, sob uma temperatura tórrida própria dos dias mais agressivos da época, condições que só o amor à causa consentia incursões como aquela que estava a experimentar, decorria a aula com a normalidade esperada, quando a mesma foi interrompida por alguém responsável pela escola: Vinha fazer um pedido. Solicitar um favor.
É que naquele momento iria iniciar-se um concerto de violino para um auditório vazio e a única maneira de enganar o desaire era conseguir a nossa presença, que sempre compunha a sala.
Confesso que nunca fui entendido em música e muito menos adepto do violino, circunstâncias que não impediam a franca colaboração que a situação recomendava.
O espectáculo para mim foi penoso, tão penoso que não há memória de alguma vez ter encontrado uma cadeira tão desconfortável.
Escusado será dizer que na primeira oportunidade esgueirei-me porta fora, dando assim por terminado o curso proposto, perdendo-se, quem sabe, um promissor arqueólogo.


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